Bebedouros para beija-flores

O bebedouro com água açucarada não substitui as necessidades nutricionais dos beija-flores, já que o néctar tem outros nutrientes além do açúcar e os beija-flores se alimentam também de pequenos insetos e artrópodes, de onde obtêm proteínas. Mas não se preocupe, os beija-flores, estando livres, saberão procurar essas outras fontes nutricionais.

Para quem tem disponibilidade de espaço, o ideal é plantar espécies vegetais que fornecem néctar e outras que fornecem materiais para a construção de ninhos. As áreas arborizadas fornecem abrigos para estas aves, bem como permitem a proliferação de pequenos insetos dos quais elas se alimentam. Os bebedouros podem ser usados como uma estratégia para trazê-los perto de nós, permitindo que possamos observá-los melhor.

Em algumas situações os beija-flores ficam tão confiantes nas pessoas que tratam deles que chegam a pousar em suas mãos. Esta experiência permite às pessoas vivenciarem uma forma contemplativa das aves, sem a necessidade de aprisioná-las em gaiolas. Esta é também uma ótima oportunidade para fazer a educação ambiental de crianças e adultos.

Que alimento colocar nos bebedouros?

A concentração de açúcar deve ser próxima de 20% (1 parte de açúcar para 4 partes de água, medidas pelo volume), que é parecida com a concentração do néctar. Não coloque nada mais além de água e açúcar. O açucar pode ser o cristal, que é menos industrializado. Mas evite o mascavo, ou mel, pois já foi observado que com seu uso destes produtos a solução fermenta mais rapidamente.

Existe no mercado produtos insdustrializados exclusivos para a alimentação de beija-flores, que contém, além do açúcar, vitaminas e outros nutrientes. Entretanto, é controversa a necessidade do uso desses produtos, já que não têm na prática nenhuma vantagem com relação ao uso do açúcar comum e, eventualmente, alguns dos componentes dessas fórmulas poderiam ter contraindicações para os beija-flores. O nectar das flores é composto de água e açúcar apenas, eventualmente há outros produtos mas em quantidade irrisória.

Questionou-se que o uso de água de abastecimento público para o preparo da solução açucarada poderia prejudicar os beija-flores pelo fato desta água conter flúor. Não há, entretanto, estudos comprovando isto, sendo, desta forma, mais um mito a respeito do assunto.

Veja outras aves que frequentam os bebedouros

Que tipo de bebedouro usar?

Há inúmeros modelos de bebedouros para beija-flores disponíveis no comércio. Entretanto, é recomendável que não tenha as imitações de corolas das flores (se tiver podem ser retiradas), pois estas facilitam o pouso de abelhas e dificultam a limpeza. Os bebedouros podem também ser feitos em casa, de forma artesanal, aproveitando-se, desta forma, para reciclar alguns materiais. Dois problemas que são apontados com relação aos bebedouros são: ficar pingando a solução açucarada e atrair abelhas. Alguns modelos artesanais procuram solucionar esses problemas.

Um tipo extremamente simples pode ser feito com uma garrafa pet de 500 ml ou menor (não use garrafas maiores, a não ser que tenha tantos beija-flores que consumirão todo o conteúdo em um dia). Esquente um prego (diâmetro em torno de 3 mm) e faça um furinho na base da garrafa. Pinte em torno do furinho com esmalte vermelho. Pendure a garrafa com um arame. Pode também colocar no furinho um pedaço (2 cm) de canudinho de tomar refrigerante, o que evitá ficar pingando muito.

Como fazer um bebedouro doméstico com garrafa pet, de dois compartimentos

 

 

 

 

 

 

 

 

Bebedouro "Jonas": um modelo artesanal à prova de abelhas

 

Que aves frequentam os bebedouros

 

Uma pesquisa, feita entre observadores de aves brasileiros, por meio de redes sociais, permitiu compilar uma lista de espécies de aves que frequentam bebedouros com água açucarada.

 

Apodiformes

 

Parulidae

 

Trochilidae

 

Setophaga pitiayumi

mariquita

Ramphodon naevius

beija-flor-rajado

Icteridae

 

Phaethornis pretrei

rabo-branco-acanelado

Cacicus chrysopterus

japuíra

Phaethornis eurynome

rabo-branco-de-garganta-rajada

Cacicus haemorrhous

guaxe

Eupetomena macroura

beija-flor-tesoura

Icterus cayanensis

inhapim

Aphantochroa cirrochloris

beija-flor-cinza

Icterus pyrrhopterus

encontro

Florisuga fusca

beija-flor-preto

Mitrospingidae

 

Colibri serrirostris

beija-flor-de-orelha-violeta

Orthogonys chloricterus

catirumbava

Anthracothorax nigricollis

beija-flor-de-veste-preta

Thraupidae

 

Chrysolampis mosquitus

beija-flor-vermelho

Pipraeidea bonariensis

sanhaço-papa-laranja

Stephanoxis lalandi

beija-flor-de-topete-verde

Cissopis leverianus

tietinga

Lophornis chalybeus

topetinho-verde

Tangara seledon

saíra-sete-cores

Chlorostilbon lucidus

besourinho-de-bico-vermelho

Tangara cyanocephala

saíra-militar

Thalurania glaucopis

beija-flor-de-fronte-violeta

Tangara sayaca

sanhaço-cinzento

Hylocharis cyanus

beija-flor-roxo

Tangara cyanoptera

sanhaço-de-encontro-azul

Leucochloris albicollis

beija-flor-de-papo-branco

Tangara palmarum

sanhaço-do-coqueiro

Amazilia versicolor

beija-flor-de-banda-branca

Tangara ornata

sanhaço-de-encontro-amarelo

Amazilia fimbriata

beija-flor-de-garganta-verde

Tangara preciosa

saíra-preciosa

Amazilia lactea

beija-flor-de-peito-azul

Tangara cayana

saíra-amarela

Heliodoxa rubricauda

beija-flor-rubi

Sicalis flaveola

canário-da-terra

Calliphlox amethystina

estrelinha-ametista

Chlorophanes spiza

saí-verde

Psittaciformes

 

Tachyphonus coronatus

tiê-preto

Psittacidae

 

Ramphocelus bresilius

tiê-sangue

Brotogeris tirica

periquito-verde

Cyanerpes cyaneus

saíra-beija-flor

Passeriformes

 

Dacnis cayana

saí-azul

Mimidae

 

Coereba flaveola

cambacica

Mimus saturninus

sabiá-do-campo

Fringillidae

 

Euphonia pectoralis

ferro-velho

Chlorophonia cyanea

gaturamo-bandeira

 

 

Cuidados com os bebedouros

Os bebedouros foram incriminados como causadores de candidíase oral nas aves, o que, entretanto, não está comprovado cientificamente.

De qualquer forma, sempre que for utilizá-los deve-se tomar precauções de higiene: troque a solução com frequência, de preferência diariamente. Faça uma limpeza adequada. O interior pode ser limpo com uma escova de limpar mamadeira dessas usadas em laboratórios para limpar tubos de ensaio, chamadas de gaspilhão. Na falta destas pode-se usar areia grossa ou arroz, jogando um pouco dentro do recipiente com um pouco de água e sacodindo-se bem. É comum o desenvolvimento de algas que vão escurecendo a superfície do vidro. O tubinho por onde a ave suga a solução também deve ser limpo internamente, para isto pode ser utilizado um palito de dente. O bebedouro pode também ser deixado por meia hora dentro d'água com um pouco de água sanitária (uma colher de sopa em um litro d'água). Enxague bem. Bebedouros feitos em casa têm a vantagem de poderem ser trocados mais frequentemente. Costumamos comentar: quem deixa comida mofada para seu cachorro? Cuide da mesma forma de "seus" beija-flores

Formigas podem ser atraídas ao bebedouro. Se chegarem a atrapalhar o uso do bebedouro pelos beija-flores, podem ser evitadas colocando-se no suporte em que o bebedouro está pendurado um pedacinho de estopa, algodão ou um pano e embeba com um pouco de óleo queimado.

Abelhas são frequentemente atraídas, às vezes em grande quantidade, impedindo que as aves se aproximem. Algumas medidas podem ser tomadas para afastá-las:

1- Retire as corolas dos bebedouros, se tiver. Para os beija-flores basta o tubinho ou mesmo um furinho com uma marca vermelha em volta para atraí-lo. As flores corolas ajudam a atrair abelhas e também servem como local para pousarem.

2- Retire os bebedouros durante alguns dias, até que as abelhas desapareçam. Coloque-os em seguida em lugares diferentes de onde estavam. Os beija-flores os acham com facilidade, mas as abelhas podem demorar um pouco mais para descobri-los.

3- Use um tubinho mais comprido. Os beija-flores alcançam a água açucarada pois enfiam o bico no tubinho. Já as abelhas podem ter dificuldade para fazer isto. A colocação do tubinho obliquamente também pode dificultar as abelhas alcançarem a solução açucarada.

4- Óleo de cozinha usado pode espantar as abelhas, que não toleram o cheiro. Um repelente caseiro para abelhas (não tóxico para as aves) pode ser assim preparado: pegue um quarto de dente de alho e amasse bem. Adicione uma colher de sopa de vinagre e outra de azeite. Misture bem. Aplique próximo ao furinho do bebedouro.

5- Use um bebedouro bem simples, feito em casa, como explicado acima, ou o bebedouros "Jonas", mostrado abaixo. Não use tubinho. Passe óleo vegetal na base da garrafa e principalmente em torno do furinho. As abelhas terão dificuldades em pousar, pois escorregarão no óleo.

6- Faça um bebedouro doméstico como explicado. Sobre o furinho, coloque uma pequena tira de plástico (retire esta tira de outra garrafa, estas de 2 litros por exemplo) com 3-4 mm de largura. No meio da tira faça um furinho um pouco mais largo que o da garrafa (3 mm mais ou menos). Pregue a tira de plástico sobre a garrafa (use esparadrapo ou alguma boa cola) de modo que o furo da tira coincida com o furo da garrafa, porém fique distante dele uns 5 mm. Os beija-flores enfiarão o bico pelo furo da tira, alcançando o furo da garrafa, porém as abelhas não conseguirão fazer isto. A distância da tira da garrafa tem que ser menor que o tamanho das abelhas, para que elas não entrem por debaixo da tira. Pinte em torno do furinho da garrafa de amarelo (3-4 cm de diâmetro) e em torno do furinho da tira de plástico de vermelho, com 1 cm de diâmetro. Dará assim um efeito de flor natural e o vermelho guiará os beija-flores ao furinho. Para limpar debaixo da tira, use um pincel.

Não use inseticidas ou qualquer outro produto químico para espantar as abelhas, pois poderá contaminar os beija-flores.

Morcegos podem visitar os bebedouros à noite. Embora os morcegos nectarívoros não sejam transmissores habituais da raiva, como são os morcegos hematófagos, essas espécies também podem albergar o vírus da raiva. O contato com morcegos de qualquer espécie deve ser sempre evitado. Em nosso meio a espécie que mais comumente frequenta bebedouros é o morcego-beija-flor, Glossophaga soricina. Se achados doentes ou mortos, devem ser descartados com os devidos cuidados.

Caso tenha muitos bebedouros instalados e por algum motivo tenha que parar de mantê-los, faça isto de forma gradual, para que os beija-flores tenham tempo de encontrar outras fontes.