Reconhecimento da avifauna do Estado de São Paulo
O Estado de São Paulo tem registradas 792 (31/12/2006) espécies de aves. Algumas destas certamente não mais ocorrem no Estado, estando aqui extintas. Outras ocorrem em reduzidas populações e são ocasionais ou ameaçadas de extinção no Estado (São Paulo 1998). A existência no estado do hoje chamado Museu de Zoologia da USP, instituição centenária, permitiu que muitas coletas de aves fossem feitas desde o final do século XIX. Também, o fato de por aqui terem passado alguns dos chamados "viajantes" estrangeiros, que deixaram um importante legado no conhecimento da avifauna do estado, permitindo resgatar informações de nossa avifauna há mais de 100 anos. O intenso processo de desmatamento e ocupação humana por que passou o Estado, poupando praticamente apenas as regiões montanhosa da Serra do Mar, na região litorânea e da Serra da Mantiqueira, no nordeste do Estado, levou a uma profunda mudança na composição da avifauna paulista, extinguindo algumas espécies, reduzindo a área de ocorrência de outras e permitindo a invasão por dispersão de espécies de espaços abertos (Willis 1991; Willis & Oniki 1992, 1998). O chamado processo de "desertificação antrópica" ou "savanização", reduziu na maior parte do Estado a vegetação de mata, outrora predominante, a fragmentos isolados, sujeitos a uma série de alterações ecológicas desfavoráveis a sua avifauna (Willis 1979). Modernas estratégias de proteção da biodiversidade, em particular das aves, propõem a definição de áreas prioritárias para a ação conservacionista, as chamadas "áreas-chave" ou as "áreas importantes para a conservação das aves", com base na existência nelas de espécies ameaçadas, espécies endêmicas, ou mesmo por constituírem ambientes propícios à ocorrência de determinadas espécies desaparecidas, ou remanescentes importantes de hábitats naturais (Wege & Long 1995). Desta forma, o conhecimento preciso da ocorrência e distribuição das espécies de aves no Estado é um passo fundamental para subsidiar estas estratégias e para ações locais visando a preservação de populações específicas, influenciando de forma positiva a elaboração dos planos de manejo das Unidades de Conservação, estimulando proprietários a tomarem medidas de proteção, em especial a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural, atrelando a ocorrência destas espécies a atividades econômicas auto-sustentáveis como o turismo de observação de aves e por fim, apresentando a realidade da avifauna no Estado como um elemento a ser utilizado pela educação ambiental.
A despeito dos muitos estudos já realizados no Estado de São Paulo, com relação à avifauna, muitas áreas ainda não foram alvo destes estudos, incluindo-se aqui diversas Unidades de Conservação oficiais.
Portanto, constitui ainda uma prioridade o reconhecimento da avifauna de diversas áreas com significativo potencial de preservação de populações viáveis no Estado, bem como uma busca de dados eventualmente colhidos mas não tornados públicos. São esses os objetivos desta pauta de ação do CEO, por meio das seguintes atividades:
1. Visitas a áreas ainda sem levantamentos avifaunísticos, para o reconhecimento da avifauna.
2. Manter atualizado o Dicionário Geográfico Ornitológico do Estado de São Paulo, relacionado as localidades onde foram feitos novos registros ornitológicos.
3. Manutenção de um Banco de Registros de Espécies de Aves no Estado de São Paulo, uma compilação a mais ampla possível dos registros de aves no estado.
4. Revisitar localidades onde foram feitos registros de espécies raras ou ameaçada de extinção, visando verificar a presença e as características da ocorrência destas espécies nessas áreas, subsidiando novas ações conservacionistas ou mesmo constatando a extinção de certas espécies no estado.