TÉCNICAS GERAIS DE OBSERVAÇÃO DE AVES
Atualização: 12/3/2007
Luiz Fernando de Andrade Figueiredo
Há
duas modalidades gerais de observação: a observação de percurso e a observação
de espera. Na primeira o observador percorre uma área, parando aqui e ali,
enquanto vai fazendo as observações. Na observação de espera ele permanece
parado em algum lugar esperando que as aves apareçam.
O
sucesso da observação de espera depende da possibilidade do observador
manter-se escondido próximo a um local bem frequentado pelas aves. Chamaremos
este local de ponto atrativo. Exemplos de pontos atrativos são as fontes de
alimento e água, como vegetais que servem de alimento, comedouros artificiais,
riachos, o ninho, o local de pouso habitual ou de pouso noturno, etc. O gado é
um ponto atrativo já que algumas aves costumam acompanhá-lo. Um bom local para
observar aves é seu local de banho. Após se banharem elas voam para algum
lugar próximo onde permanecem por algum tempo enxugando-se e cuidando das
penas. Eriçam a plumagem e o topete, esticam as asas, abrem a cauda em leque e
tudo isto facilita a observação de detalhes úteis na identificação.
Algumas
aves, como as de rapina, costumam aglomerar-se próximo a incêndios no campo,
com o intuito de comer pequenos mamíferos, répteis ou insetos queimados ou
espantados pelo fogo. Outras, como a maria-branca, Xolmis cinerea, e o suiriri, Tyrannus
melancholicus, procuram estes lugares para pegar insetos que são levados
para o alto pelas correntes de ar quente.
Para
encontrar ninhos deve-se prestar atenção em alguns comportamentos das aves:
#
aves
colhendo materiais para ninho, como paina, fibras de folhas de palmeiras,
capins, gravetos e outros, ou carregando materiais.
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aves
que fogem quando já estamos muito próximos delas podem ter saído do ninho,
especialmente se permanecem por perto ou aproximam-se de nós emitindo gritos de
alarme ou executando comportamentos de despistamento, como fingir-se de ferida.
#
aves
que atacam o observador podem estar protegendo o ninho.
os
pios e chamados dos filhotes quando os pais se aproximam denuncia o ninho.
Olhando-se
por baixo de árvores e moitas, contra o fundo claro do céu pode-se ver pontos
escuros que podem ser ninhos.
Cavidades
naturais em troncos de árvores, em barrancos, podem ser locais de ninhos.
Entretanto jamais se deve ir enfiando a mão nestes lugares, pois podem ser
esconderijos de cobras e outros animais peçonhentos. Utilizar-se dos
equipamentos apropriados.
As
duas modalidades gerais de observação podem ter usos diversos. A observação
de percurso é indicada no levantamento da avifauna de uma área pois
percorrendo-se toda a área há maior chance de se observar todas as aves que
nela existem. A observação de espera é melhor quando se estuda aspectos da
biologia das aves, como a reprodução. Uma observação de espera
frequentemente feita e que dá resultados muito valiosos é a de aves que se
alimentam de determinada planta. Os estudos de frugivoria (= "alimentar-se
de frutos") e de dispersão de sementes por aves, em geral se utilizam
desta técnica.
Na
observação de percurso o observador deve tomar certas precauções para não
espantar as aves. Deve percorrer a área vagarosamente, o que lhe dará maiores
chances de localizar as aves pelo canto ou por seus movimentos antes que elas o
percebam. Deve também, sempre que possível, manter-se escondido próximo a
alguma vegetação mais densa. Os movimentos devem ser cautelosos e vagarosos.
As aves têm excelente visão e audição e algumas são muito espantadiças,
como os gaviões e outras. Algumas vezes será necessário aproximar-se das aves
engatinhando. Deve-se evitar pisar em folhas e galhos secos, que possam fazer
barulho. Também não pisar sobre troncos caídos, pois estes podem rolar e nos
causar quedas. A conversa deve limitar-se ao mínimo necessário e deve-se falar
baixo, de preferência sussurrar. Ao tentar aproximar-se da ave deve-se fazer um
percurso em ziguezague, ao invés de caminhar diretamente para ela. É como se
fingíssemos não estar interessados nelas. A prática demonstra que isto tem
efeito e pelo menos retarda o momento de fuga da ave.
Há
situações em que a observação exige o percurso de uma grande distância,
podendo ser feita com o uso de cavalo, automóvel ou mesmo avião, como no
levantamento de colônias ou aglomerações de aves.
A
posição em pé do observador parece espantar mais as aves que outras posições,
como agachado, assentado ou reclinado (Barton 1955). Elas também espantam-se
menos quando o observador se aproxima montado a cavalo ou em algum veículo,
como automóvel, barco motorizado ou canoa. As aves reconhecem a silhueta humana
e já se notou que o simples fato de andar-se com a cabeça abaixada
"quebra" a silhueta e espanta menos as aves. Para despertar menos atenção
das aves é preferível ficar na frente de alguma moita que atrás dela. Ficando
na frente, não há necessidade de movimento e nossa silhueta será quebrada
pelo contorno da moita. Ficando-se atrás, a silhueta de nossa cabeça e tronco
ficará bem visível por sobre a moita, principalmente quando nos movimentarmos.
Barton, R. (1955) How to watch
birds. McGraw-Hill Book Company,